terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pierre Lévy: para entender a internet, não é preciso dominar a última ferramenta da moda

Além da Palestra realizada dia 21 de Agosto no Sesc-Santana, o filósofo Pierre Lévy também compareceu na PUCRS nessa segunda-feria.



Pierre Lévy: para entender a internet, não é preciso dominar a última ferramenta da moda
Pensador francês palestrou na tarde desta segunda-feira na PUCRS
Tecnologia | 24/08/2009 | 16h08min


Considerado um dos principais pensadores da cultura digital, o filósofo francês Pierre Lévy palestrou nesta segunda-feira no Fórum de Internet Corporativa, na PUCRS. Lévy, que tornou-se conhecido ao lançar a expressão "inteligência coletiva" nos anos 1990 para projetar a evolução do conhecimento humano conectado por redes, defende que "o mundo das ideias é extremamente rico e complexo, até mais que a biosfera".

O pensador apresentou sua visão das etapas evolutivas da internet. Para ele, estamos em um estágio que alguns chamam de "web 2.0" ou de "mídias sociais", em que importa menos saber usar as ferramentas e mais participar do movimento coletivo de invenção. Diante da ansiedade que a necessidade de se manter atualizado sobre as últimas novidades em mídias sociais, Lévy pondera:

— Não se trata de aprender a última coisa na moda, mas sim de entender que a cada 15 dias teremos uma nova coisa. Não podemos saber tudo, temos que aprender o que é interessante para nós. Estamos nadando na inteligência coletiva.

Para o pensador francês, após uma era de simples "links" entre páginas na rede, começa-se a prestar atenção a questões como a categorização social de conteúdo na rede, a multiplicidade de idiomas dos conteúdos, o uso de tags (etiquetas que definem o tema de um conteúdo). Como máquinas e usuários podem encontrar e organizar tantas informações? A próxima etapa da evolução da internet seria rumo à "web semântica", que atingiria seu ápice em 2015.

— Em geral, as ideias não foram feitas para ser processadas automaticamente por máquinas. Elas existem para ser tratadas social e emocionalmente por cérebros humanos. Minha proposta é codificar ideias e conceitos de modo que os significados possam ser manipulados automaticamente por computadores.

Apesar de defender a internet como promotora de uma revolução cultural, Lévy não deixou de lembrar que aspectos muito importantes da vida seguirão sem participar do mundo digital:

— Nem tudo vai acontecer no ciberespaço. Teremos sempre de ir ao dentista, e não podemos ir ao banheiro virtualmente.

A palestra foi transmitida ao vivo pelo blog Infosfera.


Fonte: ZERO HORA

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